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A esposa de Manoá

A esposa de Manoá

E havia um homem de Zorá, da tribo de Dã, cujo nome era Manoá; e sua mulher era estéril e não tinha filhos. 3E o Anjo do Senhor apareceu a esta mulher e disse-lhe: Eis que, agora, és estéril e nunca tens concebido; porém conceberás e terás um filho. 4Agora, pois, guarda-te de que bebas vinho ou bebida forte, nem comas coisa imunda. 5Porque eis que tu conceberás e terás um filho sobre cuja cabeça não passará navalha; porquanto o menino será nazireu de Deus desde o ventre e ele começará a livrar a Israel da mão dos filisteus. Juízes 13.2-5

 

Mais uma vez um capítulo da história da humanidade inicia com a triste declaração de que as pessoas estavam pecando contra Deus e se viam em apuros como consequência da sua iniquidade deliberada. Mas Deus, mais uma vez manifesta sua disposição amorosa de usar de misericórdia para com seu povo e em um só fôlego, o relato bíblico, coloca o enfoque na família de Manoá, pertencente à tribo de Dã. 

Após a saída do povo de Israel do Egito liderados por Moisés, este avista de longe a terra de Canaã e é recolhido com seus pais. Sua liderança é então sucedida por Josué, que adentra no território, luta com diversos povos inimigos, conquista e distribui a terra conforme a orientação do Senhor. Quando Josué morre e toda aquela geração que estava com ele, uma nova geração se levanta que ‘não conhecia o Senhor, nem tampouco a obra que fizera a Israel” (Jz. 2.8-10). Logo o culto aos ídolos é estabelecido e os inimigos prevalecem contra o povo de Deus.

Neste período Deus levanta juízes, homens escolhidos e separados para liderar o povo em guerra contra os inimigos, livrando-os da servidão e conduzindo-os novamente para a aliança que tinham com o Senhor. Até então doze juízes já haviam sido estabelecidos para conduzir a nação de Israel em liberdade.

Dado mais um dia aparentemente comum, uma mulher, de quem nem o nome é mencionado, recebe uma visita extraordinária e inesperada de um Anjo do Senhor. O Anjo lhe diz conhecer sua condição de esterilidade e além de lhe prometer um filho, afirma que ele é escolhido por Deus dentre o ventre e terá uma grandiosa missão para cumprir até o dia da sua morte.

A mulher entra e compartilha com o esposo a experiência que viveu e Manoá, além de crer na palavra dela, ora e pede ao Senhor que os dê mais instruções de como deveriam proceder com aquele menino que haveria de nascer.

Em outra oportunidade a esposa está no campo e, como resposta da oração, o Anjo retorna para falar-lhes. Ela se apressa chama o esposo e juntos eles ouvem as orientações do Anjo, em um ato de fé naquilo que ouviram e adoração a Deus eles oferecem um sacrifício e ofertas. Naquele momento em meio as chamas do altar o Anjo sobe ao céu e o casal caí com o rosto por terra, estupefados pela visão que tiveram.

Nunca mais o Anjo lhes apareceu, porém o casal caminhou pelo restante da sua vida em obediência à palavra que haviam recebido. Desde a gestação a esposa de Manoá cumpriu os votos de nazireado que lhe foram ordenados e também seguiram assim durante todos os anos em que o filho esteve sob seus cuidados paternais (Nm. 6).

De todo este relato nasce Sansão, o décimo terceiro juiz de Israel, cuja história é tão conhecida pelos adultos e especialmente apreciada pelas crianças, pelos seus feitos hercúleos e drama cativante. Hoje, porém, nosso enfoque e atenção especial é dado à esposa de Manoá, Mãe de Sansão, essa mulher singular, escolhida por Deus para aquele momento da história do Seu povo.

De todo o capítulo que narra a história dessa mulher anônima, podemos observar alguns princípios estabelecidos por Deus que perpassam toda a narrativa bíblica e nos trazem aprendizado e edificação. Dentre eles, ressaltaremos três aspectos:

1 – Vida com Deus: apesar de conviver com a tristeza da esterilidade (considerada um sinal do castigo e ausência de favor do Senhor na época) e em meio a toda impiedade de sua geração, ela e seu esposo eram pessoas tementes a Deus e piedosas, caminhando com o Senhor e O buscando em oração. Tão logo o Senhor enviou Seu Anjo e Sua mensagem a eles, assim o creram e obedeceram de pronto. 

Outro casal no novo testamento viveu uma experiência bem semelhante, Zacarias e Isabel, tementes a Deus, mais velhos e que não podiam ter filhos receberam uma mensagem do Anjo de Deus de que teriam um filho também separado como nazireu deste o ventre (Lc. 1), porém Lucas relata a mudez provisória de Zacarias como punição por sua incredulidade na mensagem de Deus revelada pelo Seu mensageiro.

Escolher caminhar com Deus, sempre será uma escolha pessoal mesmo em meio à falta de fé e desobediência ao nosso redor.

2 – Bom Testemunho para com os de Dentro: É a Esposa de Manoá que nas duas oportunidades recebe a visita do Anjo de Deus, tão logo ela fala ao seu marido, ele aceita de pronto a palavra dela. No verso 23, do Capítulo 13 de Juízes, ela demonstra sabedoria e discernimento ao avaliar a experiência que viveram.

Creio que nada é tão precioso na nossa vida do que o bom testemunho daqueles que vivem conosco, em nosso próprio lar, como nos lembra o livro de Provérbios ao dizer que o esposo e os filhos elogiam aquela mulher (Pv.31.28-29) e são testemunhas cotidianas do seu amor ao Senhor, amor pelos seus, e cuidados com a vida em família praticados por ela.

Na intimidade da nossa casa, revelamos o que está em nosso coração, quando nenhum público nos vê, nas pequenas escolhas de cada dia mostramos quem somos de fato. O testemunho privado sustenta um ministério externo, que nada mais é do que o transbordar do nosso relacionamento com o Senhor e das boas obras, no Reino de Deus e aos de fora.

3 – Conselho dos pais e decisões dos filhos: No que coube a essa mãe e esse pai, toda instrução recebida do Senhor foi ouvida com cuidado e praticada com temor e perseverança no sentido de criar um filho temente a Deus e obediente a Sua Palavra.

Inclusive, na juventude de Sansão quando ele comunica aos seus pais seu desejo de casar com uma mulher filistéia, eles orientam a se casar com alguma jovem de seu povo e não praticar casamento misto, conforme a lei do Senhor condenava (Jz.14.1-3; Ex.34.16.).

Muitos pais vivem uma vida de condenação e culpa pelo afastamento dos filhos dos caminhos do Senhor, mesmo quando bem criados e ensinados na instrução e conselho do Senhor (Ef. 6.4). Assim como nós recebemos o livre arbítrio para escolher qual vida viver, assim também nossos filhos detêm esse “terrível privilégio”, que os pode conduzir a um caminho de vida e paz ou de morte e destruição.

Devemos obedecer aquilo que o Senhor nos pede em relação aos nossos filhos, descansando na certeza de Deus é soberano e dirige a história de cada um de nós, de que Ele ama nossos filhos muito mais do que nós mães podemos amar com todo nosso coração. Ao fim de tudo, Sansão clama a Deus que o escuta e responde, e somos lembrados da fé de Sansão em Hebreus 11.32.

Devemos viver uma vida de liberdade e obediência à vontade de Deus para nós, não cativas e afligidas pelo medo do futuro, mas crendo que Ele dirige nossos passos e daqueles que amamos!

Por,

Ana Suzani Senem Ribas.
Filha de Deus, Esposa, Mãe de 3 meninos.
Formada em Direito, Pós-Graduada em Aconselhamento Pastoral Familiar e Neurociência do Sono Infantil