A Oração de Habacuque
“Todavia, eu me alegrarei no Senhor, exultarei no Deus da minha salvação.” (Habacuque 3:18)
O livro de Habacuque é um dos mais sinceros e emocionantes da Bíblia. Enquanto outros profetas falavam em nome de Deus ao povo, Habacuque fala com Deus sobre o povo.
Ele vive um tempo de decadência espiritual e injustiça em Judá e não entende o silêncio do Senhor diante de tanta maldade. Ele se angustia e diz: “Até quando, Senhor, clamarei eu, e Tu não me escutarás?” (Habacuque 1:2). Deus responde e diz que usará uma nação ímpia para corrigir outra, o que choca ainda mais Habacuque.
Ao lermos esse livro, que foi escrito cerca de 606 a.C., não podemos deixar de perceber o quanto ele é atual e como ele nos traz ensinamentos a respeito do poderio do nosso Deus, mostrando que, embora não venhamos a compreender o Seu modo de agir, Ele continua sendo Deus, e o controle nunca saiu de Suas mãos.
Ao longo do livro, o profeta passa de um coração cheio de questionamentos e medo para uma vida marcada pela fé e adoração. O capítulo 3 nos traduz muito bem essa mudança e sua transformação espiritual. De uma tensão entre fé e dúvidas nasce uma oração em forma de cântico.
Habacuque se volta para Deus e diz: “Tenho ouvido, ó Senhor, as Tuas declarações e me sinto alarmado; aviva, ó Senhor, a Tua obra no meio dos anos…” (Habacuque 3:2).
Mesmo diante da incerteza, o profeta clama por avivamento e misericórdia. Ele reconhece o poder e a justiça divina, mas pede que, no meio da ira, Deus Se lembre de ser misericordioso. Hoje, mais do que nunca, com tudo que vem acontecendo em nosso país e até mesmo em uma esfera mundial, nós, como igreja, precisamos clamar a Deus para que um avivamento genuíno venha sobre nós e que sejamos alcançados pela Sua misericórdia.
O profeta entrega uma oração madura e com essência. Ele não nega a sua dor, mas demonstra que sua esperança está depositada em Deus e na Sua fidelidade.
Nos versículos 3 a 15 do capítulo 3, Habacuque relembra ao Senhor Seus grandes feitos na história do povo de Israel, fala de como Deus tirou o Seu povo do Egito, como sol e lua pararam. Ele cita como Deus marchou sobre a terra com todo o Seu poderio, tudo isso para que sua fé no Senhor fosse renovada. Quantas vezes nos encontramos enfraquecidos na fé e, ao nos lembrarmos do que Deus já fez, encontramos forças para crer no que Ele ainda fará.
No final de sua oração, ele chega a um dos momentos mais sublimes das Escrituras: “Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide, o produto da oliveira minta… todavia eu me alegrarei no Senhor, exultarei no Deus da minha salvação.” (Habacuque 3:17–18).
A oração termina em adoração não porque as circunstâncias mudaram, mas porque Habacuque mudou. Ele aprende que a fé verdadeira não depende do que se vê, mas de quem Deus é. A resposta é simples, e ele já havia compreendido no capítulo anterior: “O justo viverá pela fé.” (Habacuque 2:4). Encontramos essa mesma frase citada por Paulo em Romanos 1:17, como já está escrito: “O justo viverá pela fé.”
Viver pela fé, quando tudo vai bem, parece fácil. Mas precisamos ter em mente que esse viver pela fé precisa ser contínuo em nossas vidas. Assim como eu preciso do ar para respirar, eu preciso da fé para me manter vivo e em movimento. A fé me faz ver além das nuvens escuras, além das montanhas, além da injustiça, além da enfermidade, além da morte.
Habacuque começou sua jornada reclamando, mas terminou cantando. A oração o levou do desespero à confiança. Assim também deve ser conosco:
– Quando não entendemos, confiamos.
– Quando não vemos, esperamos.
– Quando não temos nada, adoramos.
Quando orar, não esconda sua dor. Apresente-a a Deus. Busque lembrar o que o Senhor já fez na sua vida e, mesmo que nada mude, escolha adorar. Porque a oração de Habacuque nos ensina que a fé não é sentir, mas permanecer fiel.
“O Senhor é a minha força e faz os meus pés como os da corça; e me faz andar sobre as minhas alturas.” (Habacuque 3:19)

Ana Paula Silveira Stahnke;
Fisioterapeuta, pós graduada em Ortopedia e traumatologia;
Esposa do Ev Douglas Stahnke, mãe de três meninos;
Pregadora e professora do curso Mulher Única e Preciosas.