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Quando o Coração Precisa Respirar Novamente

Quando o Coração Precisa Respirar Novamente

Você já recebeu uma vitória grandiosa do Senhor, que se manifesta como um glorioso testemunho? Como uma daquelas situações em que vemos, surpreendidos pela fidelidade de Deus, a forma extraordinária do Seu agir. Do que, no entanto, muitas vezes não nos damos conta é de que as feridas e o cansaço que restaram após a batalha nem sempre são curados tão logo a vitória vem. E, por mais que agora saltem aos olhos os motivos de gratidão, ainda sentimos nos ombros e no peito o peso de tudo o que passou.

A letra de um conhecido hino traduz exatamente isso: “Cansaço, desânimo, logo após uma vitória, a mistura de um desgaste com um contra ataque do mal”*. Acredito que o profeta Elias tenha se sentido assim, quando fugiu ao receber as ameaças de Jezabel. Nos últimos anos, Deus estava zelando pela sua palavra e cuidando dele de uma forma surpreendente.

E, quando Elias desafiou os profetas de Baal e Aserá, o Senhor mostrou quem é o Deus de Israel. Ele conhecia o seu Deus, mas qual não deve ter sido a satisfação de ver a sua oração sendo respondida diante do todo o povo! Quando Deus fez descer fogo do céu e consumir totalmente aquele sacrifício sobre um altar encharcado, não foi apenas uma grande vitória para Elias. Foi uma experiência extraordinária, com certeza. Mas foi também uma intensa e desgastante guerra espiritual.

Baal era um falso deus (sem poder, sem voz, sem vida), mas o inimigo de Deus tinha imenso interesse em que o povo continuasse prostrado a Baal, em desobediência e infidelidade, em vez de se voltar novamente ao Senhor. Elias estava tão determinado e concentrado no cumprimento de sua missão que, ao derrotar os 750 profetas de Baal e Aserá, acredito que ele nem deve ter percebido o quanto isso o afetaria. Independentemente da forma que realmente tenha acontecido, colocar isso em prática impactou o seu emocional de forma inimaginável.

Podemos acrescentar a isso a responsabilidade de ter sido a voz que decretou: “Não haverá orvalho nem chuva, a não ser quando eu disser” (I Reis 17.1). Já fazia dois anos, e Deus cuidava de Elias. Mas, e o povo? O texto sagrado não menciona, mas, quem sabe se não o questionavam, ou até falavam contra Elias, cobrando-o por aquilo que estavam passando?

E, por fim, Jezabel o jura de morte. Pensando estar sozinho e temendo pela própria vida, ele deixa seu moço e entra no deserto. Debaixo de um pé de zimbro, entrega a Deus sua vida na expectativa de que o Senhor o levasse. Em vez disso, um anjo o desperta, duas vezes, para que se alimente. Na segunda vez, ele come, e parte numa caminhada de 40 dias e 40 noites até Horebe, o monte do Senhor (I Reis 19.8).

Que lugar perfeito para estar! “O que você está fazendo aqui, Elias?”, o Senhor lhe pergunta. Ele defende sua retidão e fidelidade ao Senhor, e conta que, agora, estão tentando tirar a sua vida, assim como fizeram a todos os profetas. Pelo menos, é o que ele pensa. O Senhor lhe diz: “Saia e fique no monte, na presença do Senhor, pois o Senhor vai passar”. (I Reis 19.10 e 11).

Então veio um vento tão forte que partiu os montes e esmigalhou as rochas. Depois um terremoto, e, por fim, um fogo, mas em nenhum deles o Senhor estava. Elias, então, ouviu um murmúrio de uma brisa suave, e novamente a pergunta: “o que você está fazendo aí, Elias?” Elias repete a sua resposta, e o Senhor lhe confia três missões: ungir Hazael, Jeú e Eliseu para viverem os planos do Senhor. E o avisa de que ainda há sete mil fiéis a Ele em Israel. Elias, então, se levanta e vai.

As batalhas do Senhor são indiscutivelmente dignas de serem lutadas, mas isso não significa que não sejam desgastantes, que não custem muito de nós, nem mesmo que sejam fáceis. Obedecer a Deus pode exaurir nossas forças de uma forma que não imaginamos ser possível, a ponto de, como Elias, considerarmos ter chegado ao fim de tudo, com disposição apenas para entrar em uma caverna e nos esconder.

E, às vezes, em vez de seguir tirando o máximo de nossas próprias forças como se estivéssemos bem, é necessário nos retirarmos e nos escondermos à sombra do Altíssimo. Às vezes é necessário entregarmos novamente ao Senhor todo o nosso ser, abrindo o nosso coração e confessando nossas inseguras e temores. Não no meio das pessoas, nem com aqueles que nos são mais chegados, mas num particular com Deus.

É interessante percebermos que as palavras do Senhor a Elias, depois da brisa, não foram nada como “eu estou com você”, “você foi um bom servo”, ou “fique tranquilo, eles não vão te matar”. E, por isso, talvez alguns de nós entendamos as palavras do Senhor com um tom de repreensão, sem se preocupar com o que Elias tinha acabado de dizer.

Mas acredito que faz mais sentido entender as ordens de Deus como uma mensagem de esperança. Como se Ele dissesse: “Elias, ainda não chegou o fim. Eu ainda tenho planos para você. E mais, você não está sozinho.” Talvez depois de um ano difícil, tenhamos ainda que enfrentar um forte vento, um terremoto ou a força do fogo, e não consigamos ver e entender o que o Senhor está fazendo.

Mas podemos ter sempre a certeza de que a voz mansa e suave vai soar, trazendo paz e alívio ao nosso coração e nos fazendo entender que os Seus propósitos são muito maiores do que podemos imaginar. E, na Sua presença, jamais estaremos sozinhos. O convite de Jesus se estende não apenas àqueles que estão distantes de Deus. Ele chama todos os que estão cansados e sobrecarregados. “Vinde a mim, (…) e eu os aliviarei” (Mateus 11.28).

E aos que esperam Nele, permanece a promessa: “renovarão as forças, subirão com asas como águias; correrão, e não se cansarão; caminharão, e não se fatigarão. (Isaías 40.31). O Deus que nos chama para a batalha é o mesmo que nos capacitou, que nos sustenta, e, depois de tudo, tem um lugar de renovo e descanso preparado para nós. Ele sempre terá a cura, o alívio e a paz que o nosso coração tanto precisa.

Por,

Ana Formigari
Esposa e mãe;
Ministra da Palavra;
Escritora e Jornalista.